quinta-feira, 19 de junho de 2008

Protetores de animais que comem carne, um ponto de vista muito interessante, é para se pensar...

Ivana Maria França de Negri é escritora e integrante da Sociedade Vegetariana Brasileira/ Piracicaba

Nunca vi tamanha hipocrisia, como essa de protetores de animais que comem a carne dos mesmos animais que protegem...

É uma incoerência sem tamanho, e as pessoas certamente não param para pensar no que fazem. Tratam os animais de estimação como filhos, conversam com eles, colocam roupinhas, compram ração das mais caras. Mas fecham os olhos para toda a barbárie a que são submetidos os animais criados para consumo, desde que nascem até o momento em que sobem a rampa do matadouro.

Alguns dão a desculpa de que os seres humanos não podem sobreviver sem a carne. Mas cada vez mais, pessoas se tornam vegetarianas e conheço muitas que o são desde o nascimento e estão muito saudáveis, prova viva de que carne não faz falta. Outras dizem que é cultural, mas é muito cômodo dizer isso e continuar com a farsa de que são protetores de animais, mas são “obrigados” pelo sistema a consumir carne.

Prestei serviço voluntário numa entidade de proteção aos animais por 11 anos. Via muita gente desesperada e revoltada com as eutanásias que os CCZs praticavam em animais de rua que ninguém queria. Mas jamais mencionavam as milhares de mortes de outros animais nos abatedouros, sem anestesia. Animais que foram criados pelos métodos mais cruéis – geralmente o que for de menor custo ao produtor - longe das mães, sem carinho algum dos humanos que jamais zelam pelo bem-estar dos animais, levando uma vida de sofrimento sem fim até que a morte os liberte do martírio.

Qual a diferença? É diferente a dor de um cão da de um carneiro? A dor de um gato da dor de um porco? Por que um boi pode ser morto a marretadas, sem pré-anestesia, e ninguém tem piedade dele? O que fazem os protetores carnívoros nesta hora?
E o que dizer dos veterinários que, literalmente, devoram seus pacientes?

Falta muito ainda para a humanidade evoluir. Cansei da hipocrisia das pessoas que se dizem protetoras de animais e se alimentam dos cadáveres deles. Se tivessem que fazer o serviço sujo com as próprias mãos, a história seria diferente.
Muitos protetores acabam naturalmente se tornando vegetarianos, pois não existe lógica em proteger alguns e devorar outros. É uma questão de ética e coerência.

Em alguns lugares da China o povo consome a carne de cães. Isso horroriza as pessoas do ocidente. E na Índia, sendo os bois sagrados, seus habitantes devem horrorizar-se com o hábito de outros países de consumir a carne bovina.
O fato de a igreja considerar pecado comer carne vermelha na sexta-feira santa é outra coisa que não consigo compreender..É pecado comer carne vermelha, mas carne de peixe pode. Peixe não é carne? Bacalhau não é carne? Para mim é pecado comer carne todos os dias!

Um dia todos vão acordar e entender que nossos corpos não são cemitério para enterrar neles os cadáveres dos animais para apodrecer. A lei da causa e efeito é implacável, e surgem cada vez mais casos de cânceres pelo consumo exagerado de carne.

Os animais não são meros objetos para nos utilizarmos deles a nosso bel prazer, e sim seres em evolução, que compartilham com os humanos a vida neste planeta.. As leis também são injustas. A mesma lei que penaliza quem maltrata um cão ou um gato, não serve para os animais de consumo, que podem ser maltratados à vontade, desde que o objetivo final seja a alimentação humana.

Um absurdo!

http://www.petfeliz.com.br/curiosidades/curiosidades_detalhes.asp?C%F3digo=58

Inpa devolve insetos raros a colecionador

KÁTIA BRASIL
da Agência Folha, em Manaus

O Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) teve de devolver ontem 5.977 insetos a um colecionador particular que era suspeito de crime contra a fauna. O engenheiro japonês Shoji Hashimoto era acusado de coletar besouros e borboletas raros ilegalmente, mas o processo prescreveu na Justiça Federal.

Pesquisadores do Inpa protestaram, mas já não é mais possível recorrer. Os insetos foram apreendidos em 2001. O instituto foi nomeado fiel depositário da coleção e catalogou toda ela. "Essa entrega da coleção de insetos abrirá precedentes para os biopiratas", diz William Gama, cientista do Inpa.

"A Justiça não julgou porque não tem provas de nada", diz Hashimoto. Segundo ele, os insetos serão acervo do Museu de Ciências Naturais do Amazonas, do qual é diretor. "A coleção é do museu."

http://www1.folha.uol.com.br/folha/ambiente/ult10007u413963.shtml

Polícia encontra 372 aves escondidas em carro na Régis


da Folha Online

A PRF (Polícia Rodoviária Federal) encontrou na madrugada desta quinta-feira 372 pássaros escondidos em um um Gol que trafegava no km 498 da rodovia Régis Bittencourt, em Cajati (interior de São Paulo). Duas pessoas foram presas por tráfico de animais e tentativa de suborno.

O veículo foi parado pouco antes da 1h. Os dois homens que estavam nele foram interrogados e, segundo a PRF, ficaram nervosos, levantando suspeitas dos policiais. O carro foi revistado e as aves encontradas.

Os animais estavam em sob o tampo das portas e das laterais do carro, dentro de pequenas caixas. Questionados, os ocupantes do veículo disseram que haviam capturado os animais em Palmeira (PR) e que os levariam para serem vendidos em feiras livres de São Paulo.

Para tentar se livrar da prisão, a dupla ofereceu R$ 500 para que eles desistissem de levá-los para a delegacia. Os policiais os levaram para a delegacia da Polícia Civil de Cajati. Ambos acabaram indiciados por corrupção ativa, além do tráfico de animais.

Entre as aves apreendidas estavam pintassilgos, canários-da-terra, azulinos e bicos-de-veludo. Todas foram encaminhadas ao Ibama de Iguape (litoral de São Paulo).

http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u413968.shtml

Terrorismo em Campinas: Prefeitura anuncia que vai matar 30 cães

A Prefeitura de Campinas continua com suas ameaças terroristas de assassinar cães. O prefeito fundamentalista Dr Hélio não está nem aí com os animais. Prefeito assassino!

A Prefeitura de Campinas, além de ser negligente no trato aos animais,
agora está com ameaças terroristas de assassinar 30 cães "agressivos".
Agressivo é o Secretário Municipal de Saúde Francisco Kerr Saraiva que
virou um terrorista ao estilo fundamentalista.
********************************

Publicada em 18-06-2008
CCZ anuncia sacrifício de 30 cães agressivos
Patrícia Azevedo / Agência Anhangüera

18/06/2008 - O Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) da Prefeitura de
Campinas pretende resolver o problema de superlotação nos canis de
observação com o sacrifício de pelo menos 30 cachorros considerados
agressivos. "A partir de 16 de julho, poderemos fazer a eutanásia nos
cães agressivos que não foram adotados", afirmou o coordenador do CCZ,
Antônio Carlos Coelho Figueiredo. Ele diz que a medida está respaldada
pela Lei Estadual nº 12.916/08, sancionada em 16 de abril, que permite
a eutanásia de cães considerados agressivos que não tenham sido
adotados num período de 90 dias.

Tanto Figueiredo quanto o secretário municipal de Saúde, Francisco
Kerr Saraiva, são taxativos em afirmar que o problema de superlotação
de cães ferozes ocorre devido a uma lei municipal que proíbe a
eutanásia de cães. "Vamos nos reunir com o secretário de Assuntos
Jurídicos (Carlos Henrique Pinto) para discutir a lei municipal da
eutanásia. Nós temos que resgatar a autoridade sanitária como
principal responsável pela saúde dos animais", disse Kerr Saraiva.

A medida deve causar nova polêmica junto às organizações de defesa dos
direitos dos animais devido a proibição de eutanásia imposta pela lei
municipal. Um dos defensores que prometem entrar na briga é o deputado
estadual e presidente da União Protetora dos Animais (UPA), Feliciano
Nahimy Filho (PV), que formulou uma representação contra o CCZ para o
Ministério Público (MP). "Em Campinas, não pode matar pit bull em
momento nenhum porque a lei estadual é complementar à lei municipal
que proíbe a matança. Vou levar essa informação ao Ministério
Público", disse Feliciano.

Braços cruzados

O anúncio da execução dos cães foi feito hoje durante a paralisação
dos funcionários do CCZ. Liderados pelo Sindicato dos Trabalhadores no
Serviço Público Municipal de Campinas, os funcionários permaneceram de
braços cruzados durante todo o dia, reivindicando melhores condições
de trabalho. Eles se reuniram com Kerr Saraiva e com o coordenador da
Comunicação da Prefeitura, Francisco de Lagos, para apresentar suas
reivindicações e cobrar soluções.

Leia matéria completa na edição de quinta-feira (19/06/2008) do Correio Popular

http://www.cosmo.com.br/cidades/campinas/integra.asp?id=228894
http://ativismo.com/joomla/index.php?option=com_content&task=view&id=330&Itemid=89

quarta-feira, 18 de junho de 2008

"Presença de ONG tumultua festa católica no domingo"

Vejam fotos em:
http://www.jornaldeitupeva.com.br/noticia_reg.php?id=080618050912
18/06/2008 - 05h09m - Quarta-feira
Presença de ONG tumultua festa católica no domingo
Luiz Carlos Izzo
A presença de representantes da União Cabreuva na de Proteção à Flora,
a UCAPROF, causou indignação dos organizadores da Festa de Santo
Antonio, no último domingo, em Itupeva. Faltavam alguns minutos para a
realização do tradicional leilão de animais, realizado há muitas
décadas, quando chegaram três integrantes da Ong. Eles estavam
acompanhados do casal, Sônia e Arialdo Antonio Garcia, representante
do Fórum Nacional de Defesa Animal.

Uma equipe do 3° Pelotão de Polícia Militar Ambiental, comandada pelo
sargento Souza Filho, também compareceu ao evento, cumprindo
determinação do promotor de Justiça, dr Claudemir Batalini, à quem foi
direcionada denúncia de maus tratos. Enquanto a festa acontecia, os
integrantes da UCAPROF filmaram as instalações do evento,
principalmente a estalagem dos animais. Arialdo declarou que o
objetivo da visita à festa foi "averiguar se não existiam animais
doentes ou mal tratados", disse.

Com pasta contendo toda a documentação e Alvará de liberação da festa,
Ênio Pansarin, um dos organizadores da Festa de Santo Antonio,
apresentou os policiais a autorização para a realização do leilão de
13 garrotes. "Realizamos essa festa, que há mais de 80 anos é
totalmente beneficiente em prol à comunidade católica. Nunca os
animais leiloados, aqui, foram mal tratados.

Como todos podem ver, dois médicos veterinários acompanham toda a
permanência dos animais durante o evento", disse.
Representando a prefeitura de Itupeva, o diretor-adjunto da educação e
Cultura, André Mariano de Castro, indagou o representante do Fórum
sobre sua capacidade técnica de inspeção dos animais.

"Você vem a nossa festa questionar sobre as condições de saúde dos
animais, mas com o respaldo técnico de quem? Como você pode dizer se
os animais estão ou não doentes? Nós queremos, sim, ser fiscalizados.
Porém, por pessoas qualificadas e com o conhecimento técnico
veterinário", disse.

Arialdo assumiu que o correto seria comparecer em companhia de um
médico veterinário, integrante do Fórum de Defesa dos Animais. "Não
queremos atrapalhar a festa, e sim, averiguar a situação dos animais".

O padre João Lúcio criticou a atitude da UCAPROF. "Se existisse
qualquer tipo de maus tratos a animais, o primeiro a se manifestar
contrario a festa seria eu. Essa Ong de Cabreúva nunca sequer pediu
para falar comigo, muito menos para perguntar se algum animal estaria
ou não sendo maltratados aqui. Não sou contra a atuação de nenhuma
Ong, só que seria extremamente importante que eles nos procurassem
para conversar. Para se ter uma idéia, para tentar impedir o leilão de
animais eles entraram em contato com o bispo, mas por telefone, nem
pessoalmente foram. Isso aconteceu uma semana antes do leilão e por
conta disso, quase tivemos que cancelá-lo.

Essa turma tem o ano inteiro para fazer isso, mas porque só fazem em
cima da hora, bem perto do evento?", questionou o pároco que foi
aplaudido por centenas de pessoas presentes.

O locutor oficial dos eventos, que contam com a participação dos
romeiros, o radialista Nivaldo Delácqua, foi contrário à atuação da
UCAPROF.

"Esse pessoal está tentando impedir a realização do leilão de Itupeva,
que é tradição no município".

Já o presidente da Associação dos Romeiros, Valdemir Falco, foi mais
contundente. "Essa turma deveria se preocupar com os leilões que
acontecem todos os dias nos canais rurais da televisão. Se querem algo
mais próximo, hoje mesmo (domingo) está acontecendo um leilão em uma
fazenda aqui em Itupeva, que está leiloando 1.500 animais. Porque eles
não vão procurar saber em que situação esses animais estão sendo
leiloados?? Agora vêm aqui se preocupar com 13 bezerros? É mesmo uma
piada", concluiu Valdão.

Os policiais militares e o representante do Fórum, Arialdo Garcia,
afirmaram que nenhuma irregularidade foi constatada, tanto com o
alvará de realização como com os animais presentes à festa religiosa.
O tumultuo durou cerca de 40 minutos, quando polícia e integrantes da
Ong deixaram o local. O leilão de animais da tradicional festa
prosseguiu, sem prejuízos, e foi motivo de muitos elogios por parte do
grande público presente.

Vamos escrever para a CNBB e pedir que a Igreja Católica não trate
animais como mercadorias. Emails para Secretário Geral: Dom Dimas Lara
Barbosa secgeral@cnbb.org.brEste endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email secgeral (a) cnbb.org.br

http://ativismo.com/joomla/index.php?option=com_content&task=view&id=327&Itemid=89

Grandes empresas deixam de apoiar touradas

Defesa dos animais
Grandes empresas deixam de apoiar touradas
Por Ioli Campos
Seis grandes empresas desvincularam-se de eventos tauromáquicos que
tinham apoiado antes da polémica judicial sobre a emissão de touradas
na televisão antes das 22h30 e da intensificação recente dos protestos
anti-tourada

Primeiro, foi a gelataria internacional Ben and Jerry's, que ao saber
que as festas académicas, que apoiava, incluíam uma garraiada, decidiu
afastar-se do evento, relata a associação de defesa dos animais,
Animal.

No mesmo dia, também a Caixa Geral de Depósitos se afastou do
patrocínio dessa garraiada que acabou por ir para a frente à mesma,
mas sem patrocinadores, denuncia também a Animal em comunicado.

Já em Maio, a Super Bock terá mandado recolher materiais promocionais
que associavam a marca a uma tourada marcada para 10 de Maio em Moura.
Segundo o comunicado da empresa, «a associação ou apoio a este tipo de
eventos não faz parte da estratégia de comunicação de Super Bock ou de
qualquer marca da Unicer».

A Kodak, a cadeia de hotéis Marriott e a marca de roupas sueca Melka
também acabaram por se desvincular de eventos tauromáquicos que
inicialmente tinham apoiado.

«A mensagem que queremos passar a estas e a todas as outras empresas é
que apoiar a tortura de animais, como acontece com a tourada, além de
eticamente inaceitável, é também uma opção ruinosa, em termos
publicitários, promocionais e comerciais» , salienta Rita Silva,
vice-presidente da Animal. «Por todo o mundo e certamente em Portugal,
os consumidores estão cada vez mais conscientes, mais informados, mais
preocupados e mais activos».

ioli.campos@sol.ptEste endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email


http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=98315
http://ativismo.com/joomla/index.php?option=com_content&task=view&id=325&Itemid=89

"Em 2050, seremos todos vegetarianos"

"Em 2050, seremos todos vegetarianos"
Comer menos carne é o único meio de alimentar 10 bilhões de humanos,
diz o autor de "O Fim da Comida"


Época, 12/06/2008

No Ensaio Sobre O Princípio Da População, publicado em 1798, o inglês
Thomas Malthus fez uma afirmação alarmante. Como a população humana
crescia em progressão geométrica e a produção de alimentos em
progressão aritmética, no longo prazo o saldo desse descompasso seriam
a fome e o aumento da mortalidade, ajustando o tamanho da população à
oferta de alimento. Em 1800, havia 1 bilhão de humanos. Hoje, somos
6,6 bilhões. A produção agrícola superou a explosão populacional.
Malthus estava errado? Para o jornalista americano Paul Roberts, de 54
anos, talvez não. A hora de Malthus pode ter chegado. Em The End of
Food (O Fim da Comida, editora Houghton Mifflin), Roberts prevê que,
até 2050, a demanda por comida ultrapassará a oferta. Um primeiro
alerta seria a atual explosão do preço dos alimentos.

A tonelada de arroz passou de US$ 400 para US$ 1.000 em cinco meses.
No Brasil, o feijão subiu 168,44% em 12 meses. A culpa, para os
analistas, é de chineses e indianos, que estão ganhando mais e comendo
mais. Em 2030, a China importará 200 milhões de toneladas de grãos, ou
seja, todo o excedente exportável mundial. O que sobrará para os
países pobres? Se nada for feito, a fome.

ÉPOCA – Malthus estava certo?

Paul Roberts – Após 200 anos, é cada vez mais difícil dizer "não" a
essa pergunta. Continuamos desenvolvendo novas tecnologias para
produzir mais comida, mas enfrentamos novas restrições que os
fazendeiros do passado não tinham. Historicamente, a forma de aumentar
a produção era expandir a área plantada. Isso é cada vez mais difícil.
A maioria das terras aráveis do planeta já é usada e a maior parte do
que resta são as últimas florestas. É o caso do Brasil, onde as novas
áreas de plantio são obtidas à custa da derrubada de florestas.

ÉPOCA – É hora de outra Revolução Verde?

Roberts – A Primeira Revolução Verde, que transformou a agricultura
entre os anos 40 e 60, multiplicou a produção de alimentos graças ao
uso de fertilizantes e ao desenvolvimento de novas sementes. Ainda é
possível aumentar a produtividade usando os transgênicos. Mas essa
tecnologia tem seus limites. Não podemos também esquecer que o preço
da energia está subindo e que a agricultura moderna foi pensada no
tempo em que o barril de petróleo custava US$ 20. Caso o preço se
estabilize entre US$ 125 e US$ 200, o sistema atual não se sustenta.

ÉPOCA – O que fazer?

Roberts – Há três grandes desafios para criar uma Segunda Revolução
Verde. O primeiro é o aumento do preço do gás natural, o principal
insumo na produção de nitrogênio sintético, que por sua vez é o maior
insumo dos fertilizantes. A maior parte do excedente agrícola atual se
deve à disponibilidade de nitrogênio barato. Se o preço dos
fertilizantes se mantiver elevado, alimentar daqui a 50 anos outros 4
bilhões de pessoas, além dos 6,6 bilhões atuais, será um tremendo
desafio. É preciso alternativas para produzir novos fertilizantes.

ÉPOCA – O segundo desafio é...

Roberts – A falta d'água. Para isso não existe alternativa. Não há
continente onde não falte água. Cada país responde ao desafio de forma
diferente. A China está substituindo a produção de grãos, que usa
irrigação maciça, pela de frutas e verduras, que consome menos água.
Em 2007, importou 30 milhões de toneladas de soja, boa parte oriunda
do Brasil. Isso significa que a China está importando de vocês sua
água. Está ocorrendo uma mudança no "mercado virtual" de água. Por
algum tempo, isso deve contrabalançar a escassez. Mas, no fim das
contas, não existe água suficiente no mundo para atender ao aumento
projetado na demanda de alimentos.

ÉPOCA – E o terceiro?

Roberts – O último é o maior de todos: as mudanças climáticas. Elas
vão dificultar o aumento na produção de comida e acentuar a escassez
de água. A alteração do clima também será um desafio para que grandes
exportadores, como os Estados Unidos e o Canadá, consigam elevar sua
produção. Os desafios são complexos e as respostas para eles também.
Será preciso reduzir o uso de energia e de água na agricultura, ao
mesmo tempo que se elevam a eficiência e a produtividade. Porém, isso
não será o bastante. Seremos obrigados a comer menos.

ÉPOCA – A Terra pode alimentar 2,5 bilhões de bocas com uma dieta
ocidental, rica em carne, ou 20 bilhões de vegetarianos. Mas somos 6,6
bilhões...

Roberts – A pecuária e a avicultura consomem grande parte da produção
de grãos. Tome o exemplo dos Estados Unidos, com um consumo anual per
capita de 100 quilos de carne, comparado ao da Índia, com 15 quilos. É
preciso elevar o consumo da Índia e desencorajar o consumo nos Estados
Unidos e na Europa, para tentar atingir uma média global de consumo
mais justa e sustentável.

ÉPOCA – Isso não é utopia?

Roberts – É preciso reduzir o consumo de carne. A questão é como
fazê-lo. Nos Estados Unidos não se toca no assunto. Achamos que comer
carne é um direito eterno. Seu consumo é considerado um índice de
prosperidade – apesar dos problemas de saúde, como doenças cardíacas,
que seu consumo acarreta.

ÉPOCA – No Brasil, é a mesma coisa.

Roberts – O Brasil está se desenvolvendo, e a lógica pressupõe que num
país bem-sucedido come-se tanta carne quanto se deseja. Para inverter
essa lógica, é preciso um líder corajoso e habilidoso. Essa não é uma
prioridade dos candidatos à Presidência dos Estados Unidos. Cedo ou
tarde, essa discussão terá de ser atacada.

ÉPOCA – Barack Obama e John McCain têm opinião a respeito?
Roberts – Não sei. Não é uma questão que eles levantariam na campanha.
Não soaria como algo patriótico.

ÉPOCA – O aumento do preço da comida ameaça elevar em 100 milhões o
total de 862 milhões de famintos no planeta. Mas há 1 bilhão de
pessoas com sobrepeso. O problema da humanidade é a fome ou o
diabetes?

Roberts – Ambos são problemas. Se fosse forçado a escolher,
priorizaria a subnutrição, pois ela mata as pessoas muito mais cedo, e
sua solução contribuiria para a estabilidade do clima. Dito isso, se
fracassarmos em lidar com a questão da obesidade, no longo prazo
pagaremos um enorme preço na forma de despesas médicas. Por 200 mil
anos, a espécie humana teve sua dieta restrita pela disponibilidade ou
não de alimento. A invenção da agricultura, há 10 mil anos, mudou esse
padrão. A obesidade é conseqüência do acesso a uma alimentação farta e
barata. Para manter uma dieta saudável, é preciso disciplina, e nós
não fomos biologicamente projetados para controlar nossa gula.

ÉPOCA – O Brasil será o celeiro do mundo à custa da destruição da Amazônia?

Roberts – Apesar de conhecermos as conseqüências científicas e
ambientais da rápida expansão da agricultura, somos incapazes de
resistir à pressão política e econômica. Na imprensa econômica
americana, o Brasil é retratado como uma história de sucesso. O país
será uma superpotência na produção de alimentos. No entanto, quando
olhamos as publicações científicas, o Brasil é retratado em termos
muito negativos. A lógica gira em torno do fato de a população chinesa
ganhar hoje o suficiente para comer carne, o que leva à destruição das
florestas no Brasil. A questão fundamental é: como dizer a 1,3 bilhão
de chineses que eles devem comer menos carne, se comer carne tem sido
um objetivo humano por milhares de anos?

ÉPOCA – Seu livro anterior se chamava O Fim do Petróleo. O atual é O
Fim da Comida. Qual será o próximo, o fim da água? O fim da natureza?
O fim da esperança?

Roberts – (Risos.) Vou trabalhar num livro sobre as finanças globais,
outro desastre. O mercado financeiro é a chave de tudo. Nada do que
conversamos, como a conversão de florestas em área de cultivo no
Brasil, pode acontecer sem a ajuda dos mercados financeiros. Eles
estão em crise. São uma faca de dois gumes que é preciso entender
melhor.

ÉPOCA – O senhor é otimista com o futuro?

Roberts – Acho que sou. Ao dissecar a questão da escassez de recursos,
aprendi como as coisas podem se tornar ruins. Eu sei qual é o pior
cenário possível se não alterarmos a rota na qual caminhamos. Com isso
em mente, acredito que qualquer mudança será para melhor. É muito
fácil ser pessimista, mas isso não faria o menor sentido. A humanidade
sempre conviveu com a escassez. Essa é a condição humana.

http://ativismo.com/joomla/index.php?option=com_content&task=view&id=328&Itemid=89